E vocês? Já tiraram o vosso CU?
Sim, o cartão único! Maravilhoso cartão que faz ocupar apenas uma quinta parte das recheadas carteiras das senhoras. Por exemplo, a minha está sempre carregada de contas de supermercado e facturas, até amostras de creme que saiem nas revistas e fotografias dos avós... O meu Dhé bem me dá cabo da cabeça, diz que estrago as carteiras todas...
Mas vamos ao que interessa...
À um ano que estou para tirar esse fabuloso cartão, por ser prático e fundamentalmente porque tenho nova morada de residência, nortenha, e porque estou agora mulher de anilha no dedo e fiel ao nome do marido que faz parte do meu apelido!
A adiar cada vez mais o problema, com fé que o Sr. Agente da Autoridade nunca me apanha-se no trânsito (não é que use muito o carro), a semana passada e ultimos restos de férias, fui às 9h00 em ponto para a fila infernal que me esperava na conservatória...
Tirei uma senha, era a número 30! Fui tomar um cafézinho para fazer tempo... pois, porque acordar às 8h00 da manhâ em férias é complicado!!!
Quando voltei pela 3ª vez, eram já 11h da manhã, ainda iam no número 17...
Pelas minhas voltas nas ruas que circundam este edifício tão requisitado, ouvi uma voz envergonhada, que falava bem baixinho, e que me perguntou onde podia tirar o seu Cartão Único. Reparei que o Senhor, na casa dos 40 anos, estava numa cadeira de rodas elétrica, com dificuldade até em mover o tronco e o próprio comando motorizado da cadeira.
Acompanhei-o à porta da conservatória, pronta para mais uma hora de espera......
Ao chegar, o ingrato lanço de escadas afirmava-se um verdadeiro atentado para o Senhor que, ao olhar para mim, respondi logo que ia chamar uma funcionária para o ajudar a subir no ascensor mecânico que ali se encontrava para indivíduos de mobilidade condicionada.
Afinal não fui só eu que tive de esperar! O elevador não estava a funcionar e tiveram de chamar assistência técnica.
Nesta vergonhosa pausa que a sociedade obriga (inacreditável a discriminação que existe pois o seu arranjo já deveria ser feito o ano passado, de certeza), o timido senhor lá me contou do seu problema de esclerose multipla, doença esta que ao longo da vida ataca os musculos e movimentos naturais do corpo, obrigando este a estar limitado a uma cadeira de rodas... ali ficamos na conversa desde manhã até áquele momento que nos resolveram chamar.
A funcionária lá chamou o técnico, o técnico lá tentou arranjar o ascensor, e tanta coisa para 2 colegas levarem ao colo o tímido senhor até à sala do cartão único, atendendo-o de imediado devido à sua prioridade.
Nessa altura pensei: "Quem me dera estar neste momento de barriga bem grande, era atendida na hora!"
Não foi necessário... O timido senhor disse que eu era prima dele e que o tinha vindo acompanhar. Por minha sorte, agendaram-me para o dia seguinte de manhã o meu "CU", o qual tive apenas 10 minutos na sala a preencher papelada e tirar a foto passe.
Há coisas na vida em que pensamos 2 vezes.
Um tímido senhor, o qual fiz companhia durante a manhã, ajudei e ainda reclamei pela sua ingrata posição de espera em banho maria, fez com que o meu dia corre-se depois bem melhor.
Ao ajudar os outros e tirar apenas uns dez minutos que sejam do nosso "precioso" e "aterefado tempo", faz com que mais tarde sejamos sempre recompensados de outra maneira.
Podem ser coincidências???...
Eu acho que não há coincidências...


Fazer o bem sem esperar algo em troca, faz-nos sentir humanos, completos, felizes!
ResponderEliminarSe achas que ele fez com o teu dia corresse melhor, ouso afirmar que seguramente a tua contribuição foi bem maior para com ele. O teu pequeno gesto, a tua companhia, os breves segundos que te disponibilizaste a ouvi-lo, certamente afurtunaram-lhe o dia, a semana quiçá!